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maria jorgete teixeira

Feridas

Somos silhuetas desmembradas

num rio que corre esgarçado entre

o nevoeiro de pernas azuladas pelo frio.

As memórias são portas sem casa dentro, sem

enseadas onde se arrimem os ombros doloridos.

Deito-me sozinha entre cardos.


Não estendo a mão porque não te chego e

a consciência disso é cruel.

Deixei de invocar o teu corpo.

Não sei se por cansaço

ou se não me chegavam já as metáforas do poema.


Ainda me visita o sobressalto.

A teia de lamentos agudos como sal nas feridas.